THE
LIFE of David Gale (A vida de David Gale). Direção de Alan
Parker. Produção: Alan Parker e Nicolas Cage. Universal Pictures e Intermedia
Filmes, 2003. Alemanha, Estados Unidos e Inglaterra. 130 min. Disponível em http://dropvideo.com/embed/cRMAPOKOVD/
Acesso em 30 mai. 2015, às 00:02.
Kevin Spacey vive um de
seus mais dramáticos personagens, neste filme de 2003, ao lado de Kate Winslet
(Titanic). O filme conta a história
de um professor de Filosofia (David Gale), que vive no estado americano do
Texas, onde a pena de morte é legal há muitos anos. Gale forma com seus amigos
um grupo militante pela extinção da pena de morte. O professor passa por um
momento difícil: seu casamento está acabando e ele está bebendo
descontroladamente. Em um dia comum, Gale recebe uma nova aluna, que depois se
insinua e o seduz. Consumada a relação sexual, a aluna acusa o professor de
estupro. A tese se confirma por marcas e material genético do acusado no corpo
da aluna. A vida do professor está desmoronando, quando a esposa sai de casa e
leva o filho com ela, aumentando ainda mais a depressão de Gale.
O filme começa com Gale
preso, acusado de matar uma amiga asfixiada. Ele está na sua última semana de
vida, quando o caso chama a atenção de uma repórter, Bitsey Bloom (Kate Winslet).
Gale aceita dar uma última entrevista, dentro de condições que impôs a jovem
repórter.
Nos próximos dias, Gale
contará a sua tragédia à Bitsey, que tentará, sem sucesso, salvar sua vida. Ele
faz com que ela encontre uma fita de vídeo onde estão parte das imagens da
suposta execução de sua amiga. Bitsey investiga, encontra a outra parte do
vídeo e tenta, mas no caminho o carro enguiça e ela não consegue evitar a
execução. A fita mostrava que tudo foi feito premeditado: Gale não assassinara
a amiga, mas ambos fizeram um sacrifício de suas vidas para provar que o
sistema penal do Texas matava pessoas inocentes.
O filme, que é uma
mistura de drama policial com suspense traz uma reflexão atual sobre as
execuções, sobretudo em tempos de crescimento do ultraconservadorismo no nosso
país, quando muitos movimentos e parlamentares pregam o uso da execução sumária
como punição a criminosos. Gale e os amigos provam que o sistema é injusto e
mata pessoas inocentes e, portanto, não traz sensação de justiça e segurança
aos cidadãos que estão propensos à mesma situação.
Embora não haja uso da
pena de morte no Brasil, constitucionalmente falando e sendo esta uma cláusula
pétrea da nossa Constituição (significa que a Constituição de 1988 não admite
mudanças que venham a incluir o tema, assim como a desobrigação do voto, por
exemplo), pode-se afirmar que o país está “matando” sua população, no sentido
em que a falta de políticas sociais de enfrentamento à violência está levando
para a cova cerca de 50 mil brasileiros por ano (execuções criminais). Isto é
mais do que qualquer outro sistema institucionalizado de pena de morte, guerra
civil ou outros conflitos tenham conseguido matar no mundo.
O drama de Gale é atual
e o filme é recomendado para quem quer discutir ideias e posicionamentos acerca
de execuções sumárias. Além do mais, é um ótimo pano de fundo para discutir
questões éticas e posicionamentos sobre a profissão do jornalista, seus
limites e desafios na busca pela verdade (ou pela verossimilhança).


